quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Veterinária comete suicídio para conscientizar sobre a matança de animais



Reprodução/YouTube/AllinOne


Uma nova lei proibindo o sacrifício de animais entrou em vigor no último sábado, dia 4. Mas ao contrário do que parece ser, esse avanço na legislação só veio após o suicídio de uma veterinária abalada com a situação dos animais recolhidos em abrigos.

A morte da amante dos bichos Chien Chih-cheng causou comoção no país. Dedicada a causa, ela trabalhava até tarde e sacrificava seus feriados para dar atenção aos cães e melhorar suas vidas, de acordo com colegas de trabalho.

Formada em uma das melhores universidades do país e com uma das pontuações nos exames finais, Chien poderia ter escolhido um trabalho de chefia, mas optou por cuidar pessoalmente dos peludos.

Porém o que era sua alegria, virou o motivo para dar um fim em sua vida. Em maio de 2016, a jovem se matou usando a mesma droga administrada no sacrifício dos cachorros abandonados em Taiwan. Em sua carta de despedida, a veterinária afirma que queria ajudar as pessoas a entenderem o destino que os bichos que vivem nas ruas terão.

Depois de sua morte foi possível entender seu dilema. Empregados do abrigo não queriam sacrificar os cães, mas Chien e outros viam essa como a solução “menos dolorosa” para os animais que ficavam ali correndo o risco de pegar doenças por causa da superlotação do local. Ela inclusive foi apelidada de “a bela assassina” quando foi revelado que a jovem havia sacrificado 700 animais em dois anos.

Vieram à tona imagens de uma entrevista que Chien tinha dado a uma rede de TV local, em que descreve a primeira vez que viu um animal sendo sacrificado. "Eu fui para casa e chorei a noite toda", diz ela.

O número de animais sacrificados em Taiwan é alto e chegou a 10,9 mil em 2015 e outros 8,6 mil morreram por outras causas, como doenças. Falta conscientização por parte da população e recursos por parte do governo para contornar essa situação.

Nenhum tipo de apoio psicológico é dado aos trabalhadores de abrigos. “ Eu espero que minha ida faça com que vocês percebam que cachorros abandonados também são vidas. Espero que o governo entenda a importância de controlar o problema. Por favor, valorizem a vida”, finalizava Chien em suas últimas palavras.

Taiwan vive problema de abandono de cães
"Eles a chamaram de açougueira…nós muitas vezes éramos repreendidos. Algumas pessoas diziam que iríamos para o inferno. Eles dizem que nós gostamos de matar e que somos cruéis", disse Yu-jie, um dos funcionários que trabalhavam com ela.

"Mas as pessoas continuam a abandonar seus cachorros. Você ouve todos os tipos de motivos: o cachorro é muito bravo, ou não é nem um pouco bravo, ou late muito, ou não late o suficiente…"

Alta taxa de mortes
Além do número de abandonos de cães ser muito elevado em Taiwan, grande parte desses animais são largados nas ruas sem ser esterilizados facilitando a procriação descontrolada, aumentando de fato o problema.

A situação melhorou na última década, graças a uma maior conscientização da população e aos esforços de abrigos e ativistas que fazem campanhas contra o abandono e também para motivar adoções.

Mas o número de animais sacrificados ainda segue alto e abrigos sofrem com falta de recursos.

O trabalho é difícil e exige dedicação. Em alguns abrigos, metade dos animais são mortos. Em 2015, cerca de 10,9 mil cães foram sacrificados - e outros 8,6 mil morreram por outras causas, como doenças.

Na entrevista à TV, Chien contou como era o procedimento de sacrifício de um cachorro.

"Inicialmente, nós o deixamos dar um passeio e comer um pouco e conversamos com ele. Quando você o coloca na mesa, ele está muito assustado e todo o corpo está tremendo, mas depois que você administra a droga, em três a cinco segundos ele para, já não se mexe mais. Na verdade, é muito triste".
Colegas de trabalho de Chien ainda sofrem com sua perda
                                                     imagem: BBC

Nenhum tipo de auxílio psicológico era oferecido para quem trabalhava ali. E o abrigo de Taoyuan tinha uma das menores taxas de sacrifício e uma das maiores de adoções entre os canis do país.

Uma carta que Chien deixou quando se matou sugere que sua preocupação com o bem-estar dos animais havia consumido suas forças. Seus colegas atestam isso, embora especialistas digam que os motivos que levam uma pessoa a cometer suicídio são muitos e complexos.

"Ela se colocava sob muita pressão. Ela gostava e se importava muito com os animais, então a pressão do trabalho a afetava", disse Lai.

Na carta que deixou, Chien escreveu: 

"Eu espero que minha ida faça com que vocês percebam que cachorros abandonados também são vidas. Espero que o governo entenda a importância de controlar o problema. Por favor, valorizem a vida".

Com informações da Yahoo e UOL

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