segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Deputado Federal quer liberar a Caça e as Rinhas de Galo no Brasil



IMAGEM ECOSFERA 


E não é que o deputado federal Valdir Colatto (PMDB-SC), membro da bancada ruralista, nos surpreendeu novamente, no quesito crueldade com os animais.


Ele, que é autor do projeto de lei Projeto de Lei 6268/16, que pretende regulamentar o exercício de caça de animais silvestres (onça pintada, papagaios, araras, bicho preguiça, uma série de macacos, tamanduás, capivaras, lobos guará, antas, jacarés, botos cinza e cor de rosa, etc.), criando para tanto fazendas de caça. também é autor do Projeto de Lei 3786/15, que autoriza a realização de Rinhas de Galo, no Brasil.


Como funcionam as Rinhas
No Brasil, a expressão rinha é utilizada para designar briga entre animais, sendo que as mais comuns têm sido as brigas entre galos, canários e cães (especialmente os Pitbulls).

Aliás, mister ressaltar-se que a briga entre os animais apenas ocorre porque estes são instigados para a luta. São animais preparados e programados para matar ou morrer, sendo, muitas vezes, neles injetadas altas doses de hormônios, além de ficarem confinados em minúsculos espaços, passando por uma situação absurda de estresse, tanto físico como mental.

Na rinha de galo, o animal é preparado desde o segundo mês de vida, num treinamento para garantir força, já que as lutas podem durar até uma hora e meia. Na maior parte das vezes penas das pernas e pescoço são arrancadas e as esporas substituídas por esporas de prata.

Os animais são obrigados a lutar até que um deles morra ou o dono desista em virtude de ferimentos agravados. O galo que correr da briga, que cai por nocaute, ou quebra a pata ou a asa, perde.

Frequentemente pessoas envolvidas em rinhas estão também envolvidas outras atividades ilegais como: jogos, roubo, homicídios, tráfico, posse de drogas e armas. Em sua maioria, estas pessoas tem histórico de atitudes violentas ou criminosas na sociedade.

Não é raro que as pessoas envolvidas em rinhas levem crianças para assisti-las e tal ato pode causar transtornos psicológicos na formação desta criança provocando um risco significativo de que ela entenda que a agressividade é algo comum e aceitável no comportamento humano.

Muitos animais gravemente feridos são abandonados pelo seu dono após a rinha, pois os gastos na sua recuperação são geralmente altos. Para eles ajudar os animais não compensa. Geralmente estes animais são abandonados à própria sorte, em locais públicos.


Sobre a liberação da caça
Como já esclarecemos o deputado Valdir Colatto é autor do projeto de lei que libera a criação de fazendas de caça no Brasil, saiba mais aqui.

IMAGEM NEX'S BLOG 
Seu projeto de lei revoga a Lei nº 5.197, de 3 de janeiro de 1967, que proíbe a caça no Brasil e também o § 5ºdo art. 29 da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que criminaliza a caça e pune com pena de prisão e multa que pratica o ato cruel.

Na verdade, a caça, assim como as rinhas, são subterfúgios para quem sente prazer na agonia, no sofrimento e derramamento de sangue. Uma prática que aguça o instinto cruel do ser humano, que atiça a violência, incentiva o tráfico de armas e pode causa a extinção de espécies nativas. De acordo com o Boletim Epidemiológico Paulista (BEPA), número 16/2005, o prazer em praticar crueldade contra os animais deve ser encarado como a manifestação da agressividade latente, pois pode mostrar sinais de um comportamento futuro violento contra humanos.
 
  1. atirar em um animal indefeso é um esporte ou diversão? 
  2. uma pessoa que sente prazer em matar um animal e tem porte de arma de grosso calibre, oferece risco à sociedade? Ao se envolver numa briga, ela pode usar a arma em seu oponente?Estudos internacionais afirmam que uma pessoa que comete crimes contra animais é cinco vezes mais propensa a cometer crimes contra humanos, quatro vezes mais propensa a cometer crimes contra a propriedade, três vezes mais propensa a se envolver em delitos estando embriagadas. 
  3. a prática da caça incentiva o comércio ilegal de armas? 
  4. uma criança, que é educada numa sociedade onde matar indefesos é uma diversão, pode se tornar um adulto potencialmente perigoso para a sociedade? 
  5. o aumento do número de armas na sociedade, mesmo que supostamente autorizadas apenas para a caça, pode aumentar os índices de violência? 
  6. que tipo de pessoa sente prazer no sofrimento e na agonia da morte de um animal indefeso? 

Repúdio
Entendemos que aquele que lucra e sente prazer com o sofrimento de animais, deve receber uma resposta do Estado que o desencoraje a voltar a delinquir. Atos de violência contra animais não podem mais ser ignorados.

Um parlamentar, eleito pelo voto direto, jamais deveria propor legislação que promova o retrocesso nas garantias previstas na proteção dos animais

No estudo Cruelty To Animals And Other Crimes, primeiro a examinar a relação entre a violência contra animais e crime no geral, os professores Arnold Arluke e Jack Levin, da Northeastern University e Carter Lucas do MSPCA (Massachusetts Society for the Prevention of Cruelty to Animals) indicam que 70% (setenta por cento) daqueles que cometeram crimes contra os animais também haviam se envolvido em outro crime violento, com o uso de drogas e outros crimes desordenados.

O estudo também concluiu que uma pessoa que cometeu o abuso de animais é:
  • Cinco vezes mais propensa a cometer violência contra as pessoas; 
  • Quatro vezes mais propensa a cometer crimes contra a propriedade; 
  • Três vezes mais propensa a se envolver em delitos estando embriagadas ou desordenadas; 
O resultado deste estudo quebra o paradigma, e deve servir para demonstrar que um abusador de animais é, de fato, um perigo potencial para a sociedade, e tem maior probabilidade de estar envolvido em outros crimes que não tenham sido, até então, descobertos.
De acordo com dados oficiais da Polícia Militar de São Paulo, publicados na recente dissertação de mestrado do Chefe de Operações da Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo, capitão Robis, cerca de 31 % dos indivíduos capturados em rinhas tinham outros registros criminais, especialmente os violentos contra pessoas, sobretudo por lesões corporais, reafirmando com dados oficiais o iminente perigo à que estas pessoas representam.

O mundo clama por paz. Para podermos ser responsáveis socialmente não devemos caminhar na direção oposta.

Leis mais rígidas e punição severa para quem comete crimes de crueldade contra animais, é o que a sociedade espera.


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Veterinária comete suicídio para conscientizar sobre a matança de animais



Reprodução/YouTube/AllinOne


Uma nova lei proibindo o sacrifício de animais entrou em vigor no último sábado, dia 4. Mas ao contrário do que parece ser, esse avanço na legislação só veio após o suicídio de uma veterinária abalada com a situação dos animais recolhidos em abrigos.

A morte da amante dos bichos Chien Chih-cheng causou comoção no país. Dedicada a causa, ela trabalhava até tarde e sacrificava seus feriados para dar atenção aos cães e melhorar suas vidas, de acordo com colegas de trabalho.

Formada em uma das melhores universidades do país e com uma das pontuações nos exames finais, Chien poderia ter escolhido um trabalho de chefia, mas optou por cuidar pessoalmente dos peludos.

Porém o que era sua alegria, virou o motivo para dar um fim em sua vida. Em maio de 2016, a jovem se matou usando a mesma droga administrada no sacrifício dos cachorros abandonados em Taiwan. Em sua carta de despedida, a veterinária afirma que queria ajudar as pessoas a entenderem o destino que os bichos que vivem nas ruas terão.

Depois de sua morte foi possível entender seu dilema. Empregados do abrigo não queriam sacrificar os cães, mas Chien e outros viam essa como a solução “menos dolorosa” para os animais que ficavam ali correndo o risco de pegar doenças por causa da superlotação do local. Ela inclusive foi apelidada de “a bela assassina” quando foi revelado que a jovem havia sacrificado 700 animais em dois anos.

Vieram à tona imagens de uma entrevista que Chien tinha dado a uma rede de TV local, em que descreve a primeira vez que viu um animal sendo sacrificado. "Eu fui para casa e chorei a noite toda", diz ela.

O número de animais sacrificados em Taiwan é alto e chegou a 10,9 mil em 2015 e outros 8,6 mil morreram por outras causas, como doenças. Falta conscientização por parte da população e recursos por parte do governo para contornar essa situação.

Nenhum tipo de apoio psicológico é dado aos trabalhadores de abrigos. “ Eu espero que minha ida faça com que vocês percebam que cachorros abandonados também são vidas. Espero que o governo entenda a importância de controlar o problema. Por favor, valorizem a vida”, finalizava Chien em suas últimas palavras.

Taiwan vive problema de abandono de cães
"Eles a chamaram de açougueira…nós muitas vezes éramos repreendidos. Algumas pessoas diziam que iríamos para o inferno. Eles dizem que nós gostamos de matar e que somos cruéis", disse Yu-jie, um dos funcionários que trabalhavam com ela.

"Mas as pessoas continuam a abandonar seus cachorros. Você ouve todos os tipos de motivos: o cachorro é muito bravo, ou não é nem um pouco bravo, ou late muito, ou não late o suficiente…"

Alta taxa de mortes
Além do número de abandonos de cães ser muito elevado em Taiwan, grande parte desses animais são largados nas ruas sem ser esterilizados facilitando a procriação descontrolada, aumentando de fato o problema.

A situação melhorou na última década, graças a uma maior conscientização da população e aos esforços de abrigos e ativistas que fazem campanhas contra o abandono e também para motivar adoções.

Mas o número de animais sacrificados ainda segue alto e abrigos sofrem com falta de recursos.

O trabalho é difícil e exige dedicação. Em alguns abrigos, metade dos animais são mortos. Em 2015, cerca de 10,9 mil cães foram sacrificados - e outros 8,6 mil morreram por outras causas, como doenças.

Na entrevista à TV, Chien contou como era o procedimento de sacrifício de um cachorro.

"Inicialmente, nós o deixamos dar um passeio e comer um pouco e conversamos com ele. Quando você o coloca na mesa, ele está muito assustado e todo o corpo está tremendo, mas depois que você administra a droga, em três a cinco segundos ele para, já não se mexe mais. Na verdade, é muito triste".
Colegas de trabalho de Chien ainda sofrem com sua perda
                                                     imagem: BBC

Nenhum tipo de auxílio psicológico era oferecido para quem trabalhava ali. E o abrigo de Taoyuan tinha uma das menores taxas de sacrifício e uma das maiores de adoções entre os canis do país.

Uma carta que Chien deixou quando se matou sugere que sua preocupação com o bem-estar dos animais havia consumido suas forças. Seus colegas atestam isso, embora especialistas digam que os motivos que levam uma pessoa a cometer suicídio são muitos e complexos.

"Ela se colocava sob muita pressão. Ela gostava e se importava muito com os animais, então a pressão do trabalho a afetava", disse Lai.

Na carta que deixou, Chien escreveu: 

"Eu espero que minha ida faça com que vocês percebam que cachorros abandonados também são vidas. Espero que o governo entenda a importância de controlar o problema. Por favor, valorizem a vida".

Com informações da Yahoo e UOL

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Novo Código de Ética do Médico Veterinário permite atendimento gratuito

IMAGEM DIVULGAÇÃO

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV, Brasília/DF) divulgou o novo Código de Ética do Médico Veterinário, versão atualizada do documento que norteia a conduta dos profissionais.

“O novo código visa mudanças estruturais no sentido da responsabilidade profissional, de forma a evitar a negligência, imprudência e imperícia no comportamento. Com o novo código é mostrado que a vida pessoal da pessoa pode refletir no seu profissional e vice-versa, o que antes não estava tão claro”, ressalta o conselheiro do CFMV e presidente da comissão que analisou o código de ética, Nordman Wall Barbosa.

“Acredito que as mudanças irão facilitar a orientação aos profissionais nesta época em que tudo está disponível facilmente na internet. É preciso olhar o todo e ter atenção com a Saúde Única e o bem-estar, já que o animal não tinha o mesmo valor que tem hoje e não era visto como um ser senciente”, diz Nordman Barbosa.

Os dois conceitos de Saúde Única e Bem-estar ainda não haviam sido abordados na versão anterior do código e agora embasam o novo documento. “A ciência do bem-estar cresceu e o CFMV passou a ser porta-voz de respeito sobre os animais. Na Saúde Única o CFMV também tem se destacado na abordagem que reconhece que a saúde do ser humano envolve os aspectos animal e ambiental”, explicou Nordman.

Foi retirado o artigo 21, que vedava ao médico veterinário a prestação de serviços gratuitos ou por preços abaixo dos usualmente praticados, exceto em caso de pesquisa, ensino ou utilidade pública.

“Hoje o título de utilidade pública é muito diferente do passado, hoje já nem existe mais e as pessoas faziam confusão com essa palavra. A mudança veio com o sentido de evitar o entendimento de que o médico veterinário é aquele que só cobra”, esclarece o presidente do CFMV, Benedito Fortes de Arruda.

A ideia é que ao vedar a divulgação de serviços gratuitos sejam reduzidas as intenções de que a gratuidade do serviço seja usada com o intuito de promoção do profissional ou de troca do atendimento sem custos por outros serviços com valor mais alto.

“É permitido que o profissional faça uma atividade social considerando exatamente esse aspecto social, a pessoa não tem poder aquisitivo para pagar uma consulta, nada impede que o profissional faça essa consulta de graça”, explica Arruda.

A Resolução CFMV nº 1138 de dezembro de 2016, que aprova o Código de Ética do Médico Veterinário, foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (25/01). No entanto, o novo Código de Ética só entrará em vigor no dia 09 de setembro de 2017, Dia do Médico Veterinário.

Com informações