terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Sancionada Lei que proíbe carroças, em perímetro urbano, no Estado do ES



Foi sancionada a Lei 10621/17, no Espírito Santo, que proíbe a permanência e utilização de animais de grande porte dentro de perímetros urbanos, em cidades com mais de cem mil habitantes. De autoria da deputada Janete de Sá (PMN), o objetivo é substituir as carroças, tracionadas por cavalos, por veículos de propulsão humana ou motorizada. 

Movidas por força animal, as carroças foram, nos séculos passados, o meio de transporte mais utilizado para os deslocamentos de pessoas e de cargas. No entanto, hoje, apesar dos avanços, ainda é um meio de transporte comum, por comodismo, ou porque a exploração do animal é economicamente mais viável. Além disso, os usuários desse meio de transporte podem se manter à margem da lei. Enquanto um cidadão, para dirigir um veículo motorizado, precisa de ter carteira nacional de habilitação (CNH), pagar taxas, multas e seguir a legislação específica, o condutor de carroça, em geral, transita sem seguir qualquer uma dessas exigências. É comum os condutores serem menores de idade, estarem embriagados, desrespeitarem as leis de trânsito, etc. Além do perigo contínuo de causar acidentes.

Na prática, os animais usados para tração são explorados até a exaustão, carregam pesos abusivos, percorrem longas distancias sob circunstâncias de tempo e clima extremos, sem recebe o tratamento básico necessário, como alimento, água ou assistência veterinária. Além de ser comum que sejam obrigados a trabalhar mesmo estando doentes ou com graves ferimentos.

A lei prevê a remoção, acolhimento e destinação dos animais irregulares, doação, convênios e multas para os donos dos mesmos em caso de resgate dos animais. Nesse caso, os valores arrecadados em decorrência da aplicação da multa serão revertidos ao Fundo Estadual do Meio Ambiente. A lei só não se aplica aos animais de grande porte utilizados pelas forças de segurança pública.

De acordo com a Lei consideram-se animais de grande porte aqueles pertencentes às espécies equina, muar, asinina, caprina, suína, ovina e bovina.

Vigoram leis semelhantes na capital do Estado, Vitória, em Brasília - DF, Rio de Janeiro - RJ, Campinas - SP, São Paulo - SP, Foz do Iguaçu - PR, Porto Alegre - RS e Recife - PE. 

O Espírito Santo passou a ser o primeiro Estado a proibir essa exploração.







Com informações Gazeta Online

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Bacon, linguiça e salsicha estão na lista de alimentos tão cancerígenos quanto os cigarro


Há 'evidência suficiente' de ligação desses alimentos com câncer, diz relatório.

Texto alerta para risco de alto consumo de carne processada.


O consumo de produtos como salsicha, linguiça bacon e presunto, aumenta o risco de câncer do intestino em humanos, afirma um novo relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde), junto com a IARC (International Agency for Research on Cancer), publicado em 26/04/16. De acordo com o documento, a carne processada é um fator de risco certo para a doença, e carnes vermelhas de um modo geral são um fator de risco "provável".

As carnes processadas foram colocadas na lista do Grupo 1 (carcinogênicos para humanos)  – que já inclui cigarro, amianto e fumaça de diesel. O relatório foi feito pela IARC (Agência Internacional de Pesquisa do Câncer), órgão ligado à OMS, após décadas de pesquisas.

Risco de câncer

Um estudo de meta-análise -- que avaliou diversos outros estudos-- estima que cada porção diária de 50 gramas de carne processada aumente o risco de câncer colorretal em 18%, essa quantidade equivale a um misto quente, por exemplo. Esse tipo de câncer é hoje o segundo mais diagnosticado em mulheres e o terceiro em homens, e está matando 694 mil pessoas por ano (segundo dados de 2012 da OMS, os mais recentes).

A carne vermelha - grupo dentro da qual estão tecido muscular de boi, porco, carneiro, bode e cavalo , não ficou de fora da lista, e foi classificada na lista do Grupo 2A (produtos provavelmente carcinogênicos), que contém o glifosato, princípio ativo de muitos herbicidas.

A definição do IARC para carne processada inclui produtos "transformados por salgamento, curagem, fermentação, defumação e outros processos para realçar sabor ou melhorar a preservação", afirma um artigo publicado por cientistas do IARC na revista médica "The Lancet", que acompanhou a divulgação do novo relatório.


Para chegar a esta conclusão, o IARC analisou mais de 800 estudos que investigam a associação de mais de dez tipos de câncer com o consumo de carnes processadas ou não.

Carne vermelha

"Essas descobertas dão mais suporte às recomendações sanitárias atuais para limitar o consumo de carne", afirmou Christopher Wild, diretor do IARC.

"A maior parte das carnes processadas contém carne de porco ou boi, mas também pode conter outras carnes vermelhas, frango, carne de segunda (fígado, por exemplo), ou subprodutos da carne, como o sangue", afirma o artigo.

A classificação mais branda para a carne vermelha é reflexo de "evidências limitadas" de que ela causa câncer. O IARC descobriu ligações principalmente com o câncer de intestino, mas também observou associações com tumores no pâncreas e na próstata, afirmou.

Além disso, estudos científicos concluem que o consumo exagerado de carne processada está ligado ao sobrepeso e obesidade infantil, tratando-se de um importante problema de saúde global, uma vez que a obesidade aumenta o risco de câncer, diabetes, problemas cardíacos e de uma variedade de outras doenças.

A boa notícia é que abolindo o consumo de carne, você contribui para a diminuição da matança e sofrimento destes, ajuda o meio ambiente e cuida de sua saúde.

A IARC é parte da Organização Mundial da Saúde (OMS). Um de seus principais objetivos é identificar causas de câncer. O sistema mais utilizado para a classificação de substâncias cancerígenas vem da IARC. Nos últimos 30 anos, a IARC avaliou o potencial causador de câncer de mais de 900 candidatos prováveis, colocando-os em um dos seguintes grupos:

  • Grupo 1: cancerígeno para os humanos 
  • Grupo 2A: provavelmente cancerígeno para os humanos 
  • Grupo 2B: Possivelmente carcinogénico para humanos 
  • Grupo 3: Não classificável como carcinogênico em humanos 
  • Grupo 4: Provavelmente não carcinogênico para humanos 
Fonte http://www.cancer.org/cancer/cancercauses/othercarcinogens/generalinformationaboutcarcinogens/known-and-probable-human-carcinogens

Com informações  G1

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Florianópolis proíbe produção e comercialização de foie gras

Em agosto de 2015, pelo menos 50 pessoas protestaram em frente a um restaurante de Florianópolis, que organizava um festival com a iguaria
Foto: Charles Guerra / Agencia RBS
O prefeito Cesar Souza Jr sancionou no dia 12 de dezembro a lei complementar 593/2016 que proíbe a produção e a comercialização de foie gras. O projeto de lei complementar é de autoria da vereadora recentemente eleita Maria da Graça Dutra (PMDB), que fez a proposição quando exercia a suplência no legislativo há um ano. Em Santa Catarina, outra cidade que veta o consumo do fígado inchado de gansos, patos e marrecos é Blumenau, enquanto São Paulo e Sorocaba são os exemplos no restante do país. 

A matéria legislativa deixa claro que "fica proibida a produção e a comercialização de Foie Gras, in natura ou enlatado, nos estabelecimentos comerciais situados no âmbito do município de Florianópolis". Sobre as infrações cabíveis, a emenda garante que o descumprimento implicará ao infrator as sanções previstas pelo órgão fiscalizador responsável, a Vigilância Sanitária. A vereadora Maria da Graça reforça a importância do projeto. 

— O nosso processo civilizatório é muito lento e difícil, mas é imparável. Tenho a convicção de que o século 21 será de liberação dos animais. Nós vamos começar a olhá-los como seres, como vidas. Minha presença na Câmara é para garantir que Florianópolis acompanhe esse processo de civilização.

A carne utilizada no foie gras é o fígado de pato ou ganso, que em situação de superalimentação do animal, se torna mais amanteigada e saborosa para quem aprecia o corte. Mas o método de engorda, que costuma ser aplicado, é fortemente criticado por ativistas em defesa dos animais e pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB).

— A pessoa não pode fazer qualquer coisa para saciar o consumo. Claro que por não ser algo ilegal, não podemos impedir as pessoas de tomar suas decisões. Nosso trabalho agora é conscientizar, mas defendemos a proibição do consumo e da produção por entender que o método de produção não é ético — argumenta Marly Winckler, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) e vice-presidente da União Vegetariana Internacional. 

No Brasil existem três empresas que produzem foie gras: Villa Germania, em Indaial, Santa Catarina; Chez Pierre, em Cabreúva (SP) e Agrivert, em Valinhos (SP). Marcondes Moser, diretor de operações da empresa catarinense, não se preocupa com os protestos. Há 16 anos, a empresa observou que o país já importava o produto, e por já trabalhar com patos Pequim em grande escala, decidiu também investir na produção do foie gras.

O método criticado pelos defensores dos animais e que sustenta as leis que tramitam em municípios brasileiros se refere à alimentação forçada a que patos e gansos são submetidos, na maioria dos casos, para terem seus fígados engordados. Após serem alimentados durante cerca de três meses à base de milho e farelo de soja, os animais recebem um composto de milho cozido (amido). Esse composto é inserido à força através da boca e garganta do animal e acelera o acúmulo de gordura em seu organismo. Após a engorda, o animal é abatido, e o fígado, com cerca de 500g e coloração amarelada, é separado e comercializado.

O processo é antigo e remete a ano 2.500 a. C. no Egito, quando a iguaria era apreciada pelo faraós. Nessa época, os egípcios perceberam que as aves tinham o fígado mais macio e saboroso quando estavam gordas e preparadas para as migrações. Ao longo dos séculos, o foie gras foi disseminado pela Europa e se tornou tradicional na culinária francesa. Porém o método de engorda, por vezes considerado cruel, já foi proibido em diversos países como Argentina, República Tcheca, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Noruega, Israel.


Com informações DC